segunda-feira, 26 de maio de 2014

O QUE ELES FAZEM?



No desenvolvimento do trabalho nos achamos algumas produções feitas por moradores de rua. De jornal a poesia, as pessoas em situação de rua tem diversas produções, muitas vezes desconhecidas, pelo estereótipos de serem apenas moradores de rua, pessoas sem dignidade, sem capacidade...


Olhem só!


Fig 9 


  JORNAL AURORA DA RUA 

No mês de março de 2007, nos seus 458 anos, Salvador recebeu um presente especial: "Aurora da Rua", um jornal de rua que pretende tornar visível e audível, a face e a voz daqueles que muitas vezes são pouco vistos e pouco ouvidos na sociedade. Trata-se do "Aurora da Rua", um jornal que traz, pela primeira vez para o Nordeste, o conceito de "jornal de rua".

Com uma tiragem de 10.000 exemplares, a publicação é vendida exclusivamente por pessoas em situação de rua. Além de servir de fonte de renda, o periódico pretende ajudar também no processo de reinserção social dos vendedores.

Comercializado pelo preço de R$ 1,00, os vendedores ficarão com R$ 0,75 desse valor. A quantia restante será usada para pagar os custos e manutenção da publicação.

A participação das pessoas
 de rua não está restrita à vendagem. Além de serem personagens do jornal, eles também contribuem ativamente na elaboração e na construção do conteúdo, através das oficinas de texto e de arte.

Você, leitor, terá a oportunidade de saber que o universo das ruas não se restringe apenas à dura realidade das praças, viadutos e calçadas, mas que também abriga beleza e criatividade, onde apenas enxergamos tristezas e dificuldades.

Esta é, portanto, uma das metas deste novo jornal: desvendar a Aurora que vem da Rua.

Realize este sonho: abrace esta idéia! Compre o jornal! 







 Veja esse vídeo!


                                   
 



Fig 10
Aurora da Rua

Nestas noites das noites da rua, eu canto a aurora...
Nestas noites escuras sem lua, eu canto a aurora...
Um sorriso de dor, a ternura... Aurora da Rua...

Aurora da Rua...    Aurora da Rua...

Papelão, cobertor, nas calçadas, eu canto a aurora...
Nas marquises, viadutos e praças, eu canto a aurora...
Acolhida, partilha abraçadas... Aurora da Rua...

~~~~~~~~~~~~

Nenhum lar, ninguém mais a seu lado, eu canto a aurora...
Humilhado, vencido, pisado, eu canto a aurora...
Encurvado enfim levantado... Aurora da Rua...

Aurora da Rua...   Aurora da Rua...

Nas prisões e nas garras das drogas, eu canto a aurora...
Adicção, dependências e morte, eu canto a aurora...
Nesta luta, herói, tu és sóbrio... Aurora da Rua...

~~~~~~~~~~~~

Na violência sem lei e sem dor, eu canto a aurora...
Violentada... Queimado... Pavor! eu canto a aurora...
Na ternura, partilha da dor...  Aurora da Rua...

Aurora da Rua...   Aurora da Rua...

Uma luz, no escuro, cintila... Aurora da Rua...
Uma fé, nesta noite, ilumina... Aurora da Rua...
O Amor, como sol, ressuscita... Aurora da Rua...
Irmão Henrique, peregrino da Trindade  (Salvador)




E assim seguem as produções feitas por moradores de rua! 

  
Trabalho de inclusão social feito pelo Levanta-te e anda 2008

REFERENCIAL TEÓRICO

De acordo com Ferreira e Mattos, 2004, ao relatarem no artigo “Quem vocês pensam que (elas) são? Representações sobre as pessoas em situação de rua”, como as representações sociais sobre pessoas em situação de rua tem sua identidade articulada a valores negativamente afirmados. Pessoa em situação de rua passa a ser identificada como vagabunda, louca, suja, perigosa, coitadinha, onde tem vinculada a estas pessoas identidade negativa e subjetiva a violência. Esquecendo sua cultura, que um dia teve um lar, família, emprego. Sua identidade, valores são esquecidos, e o indivíduo morador de rua passa a ser visto como um sujeito de menos valia para a sociedade em que vive. 

Mendes e Silveira, 2005, pontuam no seu artigo “Nas páginas dos periódicos: construção social e realidade do fenômeno morador de rua”, que a miséria está presente nas principais cidades do mundo, e apontam as políticas públicas para os moradores de rua, como sendo um grande desafio para as sociedades. Onde será preciso uma grande reflexão e ação democrática e multidisciplinar para resolver esse fenômeno mundial.

Em seu estudo, concluíram que nos períodos analisados, os espaços reservados pelos veículos de comunicação, para divulgação de notícias relacionadas aos moradores de rua, eram em sua maioria de ação pejorativa e reforçavam a construção social desse fenômeno de forma negativa na sociedade.

POLITICAS GOVERNAMENTAIS


Em relação às políticas governamentais para a população de rua, merecem destaque alguns decretos e um programa do governo estadual para o tratamento a esta população.
O que se pode observar é que apesar do problema das pessoas em situação de rua ser algo de muito tempo, somente há pouco tempo criaram políticas específicas para esta população.

Vejamos:

•      DECRETO Nº 7.053 DE 23 DE DEZEMBRO  DE 2009
Institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua e seu Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento, e dá outras providências

•      PROGRAMA ESTADUAL BAHIA ACOLHE (DECRETO Nº 13.795 DE 21 DE MARÇO DE 2012)
O programa é voltado para o atendimento à população em situação de rua. O objetivo é oferecer um conjunto de ações de assistência social a este público

•      DECRETO Nº 23.836 DE 22 DE MARÇO DE 2013.
Institui a Política Municipal para  a População em Situação de Rua e seu Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento, e dá outras providências

•      LEI Nº 12.947 DE 10 DE FEVEREIRO DE 2014
Institui a Política Estadual para a População em Situação de Rua e dá outras providências.


ORGANIZAÇÕES

Vejam algumas organizações que trabalham com essa população.


                           LEVANTA-TE E ANDA

O Projeto “Levanta-te e anda” é um Centro de Convivência de dia, para a população em situação de rua, com o objetivo de desenvolver as habilidades, o resgatar a dignidade da pessoa humana e a cidadania. A equipe é composta por 7 membros, dos quais quatro tiveram experiência própria na rua. É um projeto executado pela ASA (Ação Social Arquidiocesana), uma entidade da Arquidiocese de São Salvador voltada para a promoção humana.
Localização do Projeto: 
Projeto Levanta-te anda
Lad. São Francisco de Paulo, nª 48 Água de Meninos



              PROJETO ESPASSOS DA RUA  

O projeto EspaSSos da Rua é um dispositivo do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial para Usuários e Álcool e outras Drogas), em Pernambués que tem a proposta de prestar assistência a crianças, adolescentes e jovens em situação de risco e vulnerabilidade que fazem uso e/ou abuso de álcool e outras drogas no contexto da rua. O projeto é assim intitulado porque para cumprir seus objetivos são necessários alguns passos, como a intervenção direta a essa população, que acontece na rua, e o trabalho articulado com as redes de saúde, sociais e justiça, para o qual se faz necessária na perspectiva de contribuir para a promoção da saúde de forma integral, através da utilização de estratégias de redução de danos. Abrindo a porta para o acesso ao serviço que é prestado no interior do CAPS AD e para outros serviços disponíveis da rede.
Localização do Projeto:
Rua Conde Pereira Carneiro, nº 139, Pernambués
Tel: 3460-1957



                PROJETO SINALEIRA 

O Projeto Sinaleira tem como objetivo a prevenir e acabar com das piores formas de exploração do trabalho infantil e adolescentes como definidas pelo Decreto Nº 6.481, de 12 de junho de 2008, que trata da proibição das piores formas de trabalho infantil e ação imediata para sua eliminação, aprovada pelo Decreto Legislativo no 178, de 14 de dezembro de 1999, e promulgada pelo Decreto no 3.597, de 12 de setembro de 2000.Os beneficiários do projeto são recrutados nas ruas, logradouros públicos,   centrais de abastecimento e feiras livres da Cidade do Salvador.
Para atender à especificidade e complexidade das crianças e adolescentes vulneráveis à exploração das piores formas de trabalho, o projeto desenvolve ações coordenadas e interceptoras de saúde (SMS), educação (SECULT), assistência (SETAD) e aprendizagem pelo SENAI, orientadas para a inclusão social e produtiva dos beneficiários e famílias.



                       BAHIA ACOLHE            
O programa Bahia Acolhe, sob a coordenação da Sedes, ordenar todos os serviços que são demandados pelos moradores de rua nas áreas de saúde, educação, abrigamento, acolhimento e tratamento de dependentes químicos, articulando para isso as secretarias de Estado com o apoio das prefeituras municipais, que terão responsabilidades específicas, como acompanhamento das famílias das crianças, adolescentes e adultos atendidos.
É o primeiro no Brasil e pode servir de base para outros estados ou para um programa federal. O objetivo é oferecer um conjunto de ações de assistência social a este público, que convive, diariamente, com a pobreza e a violência, expressas das mais variadas formas.
Através do Bahia Acolhe, estão sendo implantadas centrais de acolhimento, representando a porta de entrada na rede de proteção social com o funcionamento ininterrupto, esses portais devem oferecer aos usuários acesso à alimentação, higienização, serviços de enfermagem e abrigo provisório, se for necessário.
Localização: 
Rua Jaime Loureiro- Boca do Rio



MOVIMENTO DA POPULAÇÃO DE RUA DE SALVADOR

O Movimento da População de Rua de Salvador é um espaço no qual os moradores trazem suas demandas, problemas, expectativas, sonhos e esperanças. Os colaboradores do Movimento são moradores e ex-moradores de rua, que dedicam seu tempo e trabalho na luta pelos direitos e no cumprimento dos seus princípios, sem receber nenhum tipo de remuneração. Mensalmente, recebem uma cesta básica das Voluntárias Sociais do Estado da Bahia, organização que trabalha no apoio a ações de inclusão social, para alimentação do dia-a-dia, que não é suficiente para uma refeição diária.
As condições em que o Movimento vem trabalhando são muito precárias e por isso, dependem da ajuda dos amigos e parceiros. Isto faz com que em muitos momentos se sintam cansados para seguir lutando pelos direitos da população de rua.
Localização: 
Ladeira São Francisco, s/n – Terreiro de Jesus
Salvador/BA – Fone: (71) 3266-0034